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Introdução ao Dicionário de Símbolos - Das classificações à fragmentação

Índice de Artigos

dicionário simbolos simbologia

 

Os símbolos apresentam certa constância na história das religiões, das sociedades e do psiquismo individual. Estão ligados a situações, pulsões e conjuntos análogos. Evoluem de acordo com os mesmos processos.

Esse artigo foi publicado a partir da apresentação do livro DICIONÁRIO DOS SÍMBOLOS, e nesse artigo serão tratados os vários aspectos e conceitos ligados aos SIMBOLOS religiosos, sociais e pessoais.

Para acessar um artigo específico sobre os SÍMBOLOS COMERCIAIS, favor visitar esse link que será encaminhado para outro artigo sobre símbolos comerciais.

 

5. Das classificações à fragmentação (inventários não sistemáticos)

Muitas tentativas têm sido feitas visando uma classificação sistemática dos símbolos. Em geral, são o coroamento normal de um estudo científico, ou uma hipótese provisória de trabalho para preparar esse estudo. Todas elas têm o mérito de esboçar planos que lhe facilitam a apresentação; mas nenhuma nos parece, ainda, suficientemente satisfatória. Lembraremos aqui, embora muito sumariamente, alguns exemplos.

A. H. Krappe distingue, em La Genèse des mythes (A gênese dos mitos), os símbolos celestes (céu, Sol, Lua, estrelas etc.) dos símbolos terrestres (vulcões, águas, cavernas etc.). Mircea Eliade não se afasta muito dessa divisão em seu clássico Traité d'histoire des religions [Tratado de história das religiões] ao analisar os símbolos uranianos (seres celestes, deuses da tempestade, cultos solares, mística lunar, epifanias aquáticas...) e os símbolos ctonianos (pedras, terra, mulher, fecundidade...), aos quais se acrescentam, num grande movimento de solidariedade cosmobiológica, os símbolos do espaço e do tempo, com a dinâmica do eterno retorno.

Gaston Bachelard distribui os símbolos em torno dos quatro elementos tradicionais (a terra, o fogo, a água e o ar), que ele considera os hormônios da imaginação. Aliás, cada um desses elementos é interpretado com toda a sua polivalência poética.

G. Dumézil reagrupa os símbolos ao redor das três funções principais que discerniu na estrutura das sociedades indo-europeias e que deram origem às três ordens, ou castas, de sacerdotes, guerreiros e produtores.

Por sua vez, Piganiol faz distinção entre os pastores ou nômades e os lavradores ou sedentários, cada qual com sua cadeia específica de símbolos.

Pryzulski baseia sua classificação em certo conceito da evolução ascendente da consciência: os símbolos, inicialmente, aglutinam-se em torno do culto da Grande Deusa e da fecundidade, e depois, no nível do homem, do Pai e de Deus.

Para a psicanálise freudiana, o princípio do prazer é o eixo em volta do qual se articulam os símbolos; focalizam-se, sucessivamente, nos níveis oral, anal e sexual desse eixo, sob a ação predominante de uma libido censurada e recalcada. Adler substitui esse princípio pelo da potência, que gera, por meio de um fenômeno de supercompensação dos sentimentos de inferioridade, toda uma eflorescência de símbolos.

Na obra de C. G. Jung, poder-se-ia encontrar vários princípios de classificação. Por exemplo, os mecanismos ou processos da extroversão e da introversão podem corresponder a categorias diferentes de símbolos; ou ainda, as funções psicológicas fundamentais, sob regimes diferentes do tipo extrovertido ou introvertido; ou ainda, os processos de individuação, com os símbolos caracterizando cada fase evolutiva e cada incidente ou acidente de percurso.

Na verdade, com muita frequência trata-se dos mesmos símbolos, marcados, porém, por sinal diferente e imersos num contexto distinto, e que, por isso mesmo, sugerem essas fases ou atitudes diferentes.

Em todo caso, o grande analista de Zurique não se aventurou a fazer uma classificação metódica dos símbolos. Toda tentativa nesse sentido, empreendida a partir de sua imensa produção literária, chocar-se-ia contra um obstáculo fundamental, contra o próprio espírito de toda a pesquisa junguiana, tão profundamente hostil a qualquer espécie de sistematização.

Efetivamente, na maior parte dessas tentativas de classificação, pode-se censurar, com Gilbert Durand, uma tendência positivista e racionalizante que destaca os símbolos como signos, fabulações, fragmentos de erplicação social ou religiosa, objetos de conhecimento; que desconhece seu enraizamento subjetivo e sua móvel complexidade; que sofre de "uma secreta estreiteza metafísica".

Além disso, as classificações psicanalíticas provocam censura por serem de um "imperialismo unitário e de extrema simplificação das motivações: os símbolos, na obra de Freud, classificam-se com demasiada facilidade dentro do esquema da bissexualidade humana e, segundo Adler, dentro do esquema da agressividade [...]. Em outras palavras, a imaginação, segundo os psicanalistas, é o resultado de um conflito entre pulsões e seu recalque social (uma vergonhosa tentativa de enganar a censura), quando, ao contrário, ela aparece na maior parte das vezes, em seu próprio élan, como resultante de um acordo entre os desejos e os objetos do ambiente social e natural. Longe de ser um produto do recalque, [...] a imaginação é, em vez disso, a origem de uma liberação".

Gilbert Durand toma da antropologia estrutural os princípios de sua classifi-cação dos símbolos. Declara utilizar um "método completamente pragmático e completamente relativista de convergência cuja tendência é a de assinalar vastas constelações de imagens, constelações quase constantes e que parecem estar estruturadas por certo isomorfismo de símbolos convergentes".

Descobre certo feixe de convergências entre a reflexologia (ciência dos reflexos: gestos dominantes), a tecnologia (ciência dos instrumentos necessários ao meio, num prolongamento dos gestos dominantes) e a sociologia (ciência das funções sociais).

A partir daí, os símbolos aparecem como esquemas motores que tendem a integrar e a harmonizar pulsões e reflexos de um sujeito com os imperativos e as incitações de determinado meio. As três dominantes (reflexologia) são as de posição, nutrição e copulação; os gestos que correspondem a esses reflexos dominantes necessitam de suportes materiais e utensílios de reforço (tecnologia); seguem-se as funções sociais do sacerdote, do produtor e do guerreiro ou o exercício dos poderes legislativo, executivo e judiciário.

Assim, os símbolos que parecem ser os mais disparatados podem reagrupar-se em três grandes conjuntos que, de resto, não são estanques e que caracterizam as interpretações biopsicológicas, tecnológicas ou sociológicas, mais ou menos predominantes, conforme os símbolos e os níveis considerados.

Todavia, por motivos que não são absolutamente convincentes e que revelam as influências persistentes das bipartições uraniana e ctoniana de Mircea Eliade ou a influência tenebrosa e luminosa dos psicanalistas, Gilbert Durand não aplica rigorosamente esses princípios.

Distingue dois regimes do simbolismo: "o regime diurno, que compreende os símbolos da dominante relativa à posição, a tecnologia das armas, a sociologia do soberano, sacerdote e guerreiro, os rituais da elevação e da purificação etc.; e o regime noturno, que compreende as dominantes digestiva e unitiva ou cíclica, a primeira, a subsumir as técnicas do continente e do hábitat, os valores alimentares e digestivos, a sociologia matriarca) e nutriente; a segunda, a agrupar as técnicas do ciclo, do calendário agrícola, da indústria têxtil, os símbolos naturais ou artificiais do retorno, os mitos e os dramas astrobiológicos".

Julgamos que cada símbolo, seja qual for a dominante de que depende, possui um duplo aspecto, diurno e noturno. O monstro, por exemplo, é um embolo noturno quando engole e devora, mas torna-se diurno no momento em que transforma e expele um novo ser; guardião dos templos e jardins sagrados é, a um só tempo, obstáculo e coragem, trevas e luz, noturno e diurno.

Gilbert Durand ressalta admiravelmente, aliás, essa bipolaridade dos símbolos. Por essa razão é de lamentar ainda mais que suas sábias e sutis pesquisas não o tenham conduzido a uma classificação mais adequada a seus próprios critérios. Embora isso possa ser também uma prova de que o símbolo é tão complexo que extravasa Qualquer sistema.

Outros autores distinguem os símbolos cosmológicos, metafísicos, éticos, religiosos, heroicos, tecnológicos e psicológicos. Entre esses últimos, cada símbolo corresponderia a um tipo humano, com seu lado positivo e seu lado negativo. Contudo, esses aspectos diversos encontram-se concomitantemente na maioria dos símbolos que C. Lévi-Strauss disse serem de "estrutura folheada", dos quais uma das funções é precisamente a de unir vários planos. Não podem, por conseguinte, servir como princípios de classificação. Indicam somente os níveis de interpretação possível.

Em seus estudos mitológicos, C. Lévi-Strauss recusa-se deliberadamente a deixar que seu empreendimento seja encerrado "nos limites de uma classificação. Seja qual for o modo pelo qual o encaremos, seu empreendimento desenvolve-se como uma nebulosa, sem jamais fazer, de maneira sistemática ou duradoura, a soma total dos elementos dos quais extrai cegamente sua substância, confiante ao que o real lhe há de servir de guia e lhe mostrará um caminho mais seguro do que aqueles que teria podido inventar".

Essa reserva metodológica auemelha-se às que inspiraram a elaboração do dicionário de símbolos, que se recusa a toda classificação sistemática. Foi em torno daquilo que denominam figuras simples ou símbolos fundamentais do psiquismo humano que Gérard de Champeaux e Sebastien Sterckx, em Le monde des symboles (O mundo dos símbolos), obra que considera principalmente a "simbólica" românica, reagruparam o conjunto dos símbolos.

As figuras são o centro, o círculo, a cruz e o quadrado. Não se trata de deduzir todos os símbolos dessas figuras nem de reduzi-los todos a essas formas. Tal tentativa indicaria uma completa ininteligência do pensamento simbólico. Assim, o símbolo do templo, se bem que o edifício sagrado seja mais comumente quadrado ou retangular, conecta-se ao simbolismo do centro porque o templo representa efetivamente o papel de um centro sagrado; do mesmo modo, a árvore pertencerá ao domínio simbólico da cruz, se bem que certas frondes evoquem melhor a imagem da cúpula e do círculo.

Compreende-se que essa classificação flexível pressuponha uma interpretação que pode estar bastante afastada das aparências e orientada na direção das verdades profundas. Por seu lado, ao estudar Le symbolisme dans la mythologie grecque (O simbolismo na mitologia grega), Paul Diel divide os mitos e seus temas de acordo com articulações de uma dialética inspirada numa concepção bioeticopsicológica do simbolismo.

Considera que a vida, como força de evolução, é dirigida pelo psiquismo humano. A imaginação afetiva está no cerne desse psiquismo. A lei fundamental da vida reside no sadio funcionamento da psique, i.e., no domínio de si próprio e do mundo.

Os combates dos mitos ilustram as aventuras de todo ser humano, com suas possibilidades permanentes e suas fases alternadas de arrebatamentos espirituais e de quedas na perversão. O herói mítico destaca-se como projeção simbólica de nós mesmos, parcial ou total, tal como somos em determinada fase de nossa existência.

Ora, segundo Paul Diel, a vida evolui em direção a uma espiritualização, em virtude de uma pressão lenta, mas, no todo, irresistível. Movido por um influxo vetorial, o espírito desempenha função de supraconsciência; o intelecto é uma função consciente que adapta o homem, ao longo de seu caminho evolutivo, às necessidades urgentes e às finalidades da existência.

A ultrapassagem do consciente na direção do supraconsciente está semeada de armadilhas cuja causa principal é a imaginação exaltada. Esta desempenha um papel parasitário, de natureza a contrariar o esforço evolutivo e a provocar uma regressão ao pré-consciente ou ao inconsciente. Com seu cortejo de hábitos ilógicos, imagens obsedantes e atitudes contraditórias, essa disfunção da psique, repartida entre a atração do supraconsciente e o peso do inconsciente, alimenta o subconsciente.

O que o mito revela, com a ajuda de imagens e de situações simbólicas, já não são mais os vestígios de um passado poetizado, mas a figura de um presente conflitante a superar e o projeto de um futuro a realizar. Nessa perspectiva, "os símbolos fundamentais dizem respeito às três instâncias que se justapõem na psique humana ao inconsciente animal: a imaginação estimuladora e recalcadora (subconsciente), o intelecto (consciente) e o espírito (supraconsciente)".

E assim é que o autor classifica os símbolos em quatro categorias: os da exaltação imaginativa (Ícaro, Tântalo, Ixião, Perseu etc.); os da disfunção (as discórdias iniciais: teogonia, gigantomaquia etc.); os da banalização, como primeira manifestação da disfunção, banalização esta que assume três formas: convencional (Midas, Eros, Psique), dionisíaca (Orfeu) e titânica (Édipo); os da superação do conflito ou do combate contra a banalização (Teseu, Héracles, Prometeu etc.).

Apoiados na interpretação geral, os símbolos do pé, da águia, da túnica, da flecha, do rio etc. encontram justo lugar nesta classificação. Ela possui o mérito da coerência e da profundidade; inspira-se, contudo, num sistema de interpretação, de grande valor, sem dúvida, mas demasiadamente centrado na ética. Não salienta as outras dimensões dos símbolos, como, por exemplo, as cosmológicas e religiosas. Não haveria por que censurá-la, porquanto essa classificação pretende dar apenas uma tradução do simbolismo mítico em linguagem psicológica. Vamos concluir somente que, se é certo que nela não encontramos os princípios de uma classificação geral, poderá. no entanto, revelar-nos um método interpretativo válido para certo de exploração.

André Virel, na Histoire de notre image (História de nossa imagem), teve a engenhosa ideia de tomar como sistema de referência as três fases que aparecem no desenvolvimento das noções de tempo e espaço, na evolução biológica, na história humana e na própria história do indivíduo.

A primeira fase, que denomina cosmogênica, apresenta características que podem ser "centradas no grupo do contínuo: onda, ciclo, alternância"; é a fase uraniana de desbordamento vital, anárquico e confuso.

Na segunda fase, a esquizogênica, o individual separa-se do magma: "ainda não é a diferenciação, mas é a dualidade, a separação, do ponto de vista de oposição ao meio"; caracteriza-se pela descontinuidade: delimitação. fixação, acumulação, simetria, tempo cadenciado, regulamentação etc.; é a fase saturniana de parada, de pausa, de estabilização.

A terceira fase, colocada sob o signo de Zeus (ou Júpiter), é a fase do relançamento da expansão, mas numa continuidade ordenada. "O ser que era inicialmente indiferenciado do ambiente, passa a ser diferenciado. A continuidade de diferenciação opõe-se à continuidade da indiferenciação da fase original. No decurso dessa terceira fase, que denominamos autogênica, o ser gera-se a si mesmo, existe por si mesmo. É como um mundo autônomo. A dualidade esquizogênica cede lugar à relação dinâmica entre o ser e o mundo."

Mitos, símbolos, estruturas, Osíris-Seth-Ísis, Urano-Saturno-Júpiter, árvore-no-machado, caverna-serpente-flecha etc. encontram lugar e sentido nessa concepção evolutiva de conjunto. Essa simbologia genética explica muitos fatos irracionais. Oferece um novo método de análise, adequado a instaurar certa ordem entre os elementos disparatados, herdados de universos arcaicos heterogênios. Abre o caminho a interpretações terapêuticas. Mas, embora possamos agrupar certo número de símbolos em torno de cada uma dessas três fases, elas não podem servir como princípios de classificação.

Porquanto cada símbolo, exceções à parte, como demonstra perfeitamente André Virel, inscreve-se num conjunto que atravessa essas três fases: a onda, por exemplo, é representada como torrencial, na fase cosmogênica; como represada, na fase esquizogênica; como regularizada, na fase autogênica; sendo todos esses termos, a começar pela onda, entendidos em seu sentido simbólico. Eis aí, ainda, um princípio de análise e não de classificação.

Portanto, até o presente, toda classificação sistemática dos símbolos tem-se revelado insuficiente, a não ser para as finalidades práticas de uma exposição. A própria polivalência dos símbolos torna árdua essa tarefa.

Pareceu-nos, no estado atual das pesquisas, que a melhor maneira de aplainar os obstáculos ou de superá-los fosse elaborar um repertório de símbolos e tipos de interpretação, suficientemente representativos e de fácil consulta. Este esboço permite o acolhimento de todas as adições e sugestões novas, pois trata-se apenas de um esboço e não de uma nomenclatura exaustiva. Há muito que acrescentar.