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Introdução ao Dicionário de Símbolos - A lógica do imaginário e da razão

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Os símbolos apresentam certa constância na história das religiões, das sociedades e do psiquismo individual. Estão ligados a situações, pulsões e conjuntos análogos. Evoluem de acordo com os mesmos processos.

Esse artigo foi publicado a partir da apresentação do livro DICIONÁRIO DOS SÍMBOLOS, e nesse artigo serão tratados os vários aspectos e conceitos ligados aos SIMBOLOS religiosos, sociais e pessoais.

Para acessar um artigo específico sobre os SÍMBOLOS COMERCIAIS, favor visitar esse link que será encaminhado para outro artigo sobre símbolos comerciais.

 

6. A lógica do imaginário e da razão

Mesmo quando se furta a todas as tentativas de classificação, o domínio do imaginário não é o da anarquia e da desordem. As criações mais espontâneas obedecem a certas leis interiores. E mesmo se essas leis nos levarem ao irracional, é razoável procurar compreendê-las.

Um símbolo não é um argumento, porém inscreve-se numa certa lógica.

Existe, de fato, segundo Jean Piaget, "uma coerência funcional do pensamento simbólico. O jorro luxuriante das imagens", escreve Gilbert Durand, "mesmo nos casos que levam à maior confusão mental, prende-se sempre a uma lógica dos símbolos, seja ela ou não empobrecida".

A lógica dos símbolos, acentua Mircea Eliade, encontra sua confirmação não apenas "no simbolismo mágico-religioso, mas também no simbolismo manifestado pela atividade subconsciente e transcendente do homem".

Essa lógica emana de duas características fundamentais dos símbolos, que os distinguem de toda ideia quimérica: sua constância e sua relatividade. Conforme já assinalamos, os símbolos apresentam certa constância na história das religiões, das sociedades e do psiquismo individual.

Estão ligados a situações, pulsões e conjuntos análogos. Evoluem de acordo com os mesmos processos. Parece que as criações do consciente, do inconsciente e do transconsciente se inspiram, em sua diversidade iconográfica ou literária, nos mesmos modelos e se desenvolvem segundo linhas de iguais estruturas.

Abstenhamo-nos, porém, de imobilizá-las em estereótipos definitivos: a esclerose é morte certa. A constância dessas criações erra numa relatividade.

O símbolo, como também já assinalamos, é uma relação ou um conjunto móvel de relações entre vários termos. A lógica dos símbolos repousará, em princípio. sobre o próprio fundamento dessas relações. Mas é aqui que aparecem a complexidade e as dificuldades do problema. Pois o fundamento dessas relações deve ser procurado em numerosas direções. Varia com cada sujeito, com cada grupo e, em muitos casos, com cada fase de sua respectiva existência.

Pode-se tomar em consideração, como J. de la Rocheterie, o objeto ou imagem que servem de símbolos ou o que eles simbolizam; acentuar o simbolizado, mais do que o simbolizador; num símbolo da verticalidade, por exemplo, ver o cume descendo para a base, ou esta subindo em direção aos cimos.

Pode-se indagar de que maneira um símbolo é percebido pelo sujeito desperto, pelo sonhador adormecido, pelo intérprete; a que coisas ele é, em geral, associado; o que tem sentido a humanidade diante desse símbolo (pela amplificação); em que nível — físico, espiritual, psíquico — ele se situa para quem o percebe hic et nunc; qual é a sua função no psiquismo de que o percebe, seja na situação presente ou passada, por este vivida; qual seu papel como testemunha e fator de evolução etc.

Pornumerosos que sejam os termos intervenientes na relação simbólica, todos eles contribuem, cada qual à sua maneira, para dar-lhe valor e coloração próprios. Por incompreensíveis que sejam em sua totalidade, na maior parte das vezes, nem por isso deixam de possuir certa realidade, que ocupa lugar ativo na vida das imagens.

E este lugar responde a uma ordem das coisas; fundamenta uma lógica original, irredutível à dialética racional. "É o mundo que fala através do símbolo, escreve C. G. Jung. Quanto mais o símbolo for arcaico e profundo [...], mais se torna coletivo e universal. Quanto mais abstrato, diferenciado e específico, ao contrário, mais se aproxima da natureza de particularidades e de fatos únicos conscientes, e mais se encontra despojado de sua qualidade essencialmente universal. Na consciência plena, corre o perigo de tornar-se simples alegoria, que não ultrapassa jamais o limite da concepção consciente; e, neste último caso, estará igualmente exposto a toda espécie de explicações racionalistas".

Portanto, é importante que se apreendam as propriedades dessa lógica particular no próprio nível do simbólico e não na condição degradada no alegórico. "A manipulação dos símbolos", diz Mircea Eliade, "efetua-se de acordo com uma lógica simbólica".

O elo entre os símbolos não depende da lógica conceitual: não entra nem na extensão nem na compreensão de um conceito. Tampouco aparece no final de uma indução ou dedução nem de qualquer procedimento racional de argumentação.

A lógica dos símbolos fundamenta-se na percepção de uma relação entre dois termos ou duas séries, que escapa, como já vimos, a toda classificação científica. E se usamos a expressão lógica dos símbolos, é apenas no intuito de afirmar que existem elos ou conexões no interior dos símbolos e entre eles, e que se formam cadeias de símbolos (touro-Lua-noite-fecundidade-sacrifício-sangue--sêmen-morte-ressurreição-ciclo-etc.).

Ora, esses conjuntos denotam associações que não são absolutamente anárquicas, gratuitas ou fortuitas. Os símbolos comunicam-se entre si, obedecendo a leis e a uma dialética ainda muito pouco conhecidas. Por isso, pareceria justo dizer que o "simbolismo não é lógico [...]. É pulsão vital, reconhecimento instintivo; é uma experiência do sujeito total que nasce para viver seu próprio drama, por força do jogo incompreensível e complexo dos inúmeros elos que tecem seu devenir e o do universo ao qual pertence, e do qual retira a matéria de todos os seus reconhecimentos. Pois, afinal, trata-se sempre de nascer com, acentuando-se este com, pequenina palavra misteriosa onde jaz todo o mistério do símbolo [...]".

Mas a lógica que aqui se exclui é a do raciocínio conceitualista: não é a de uma ordem interior, extrarracional, captada somente pela percepção global. Por isso, era possível aos românticos alemães falarem numa lógica dos símbolos, mostrando-se, a esse respeito, mais próximos dos futuros surrealistas que dos lógicos de seu tempo.

Pois, efetivamente, ao analisar em demasia o símbolo, ao atá-lo por demais estreitamente a uma cadeia (raio, nuvens, chuva, touro, fecundidade etc.), ao reduzi-lo com demasiada frequência a uma unidade lógica, corre-se o risco de fazer desaparecer por completo essa unidade: não existe pior inimigo do que a racionalização. Jamais se compreenderá suficientemente que a lógica dos símbolos não pertence à categoria racional; o que não significa que não tenha sua razão de ser ou que escape a uma certa ordem que a inteligência pode tentar com-preender.

Mas o símbolo não depende unicamente do conhecimento. "Analisar intelectualmente um símbolo, diz Pierre Emmanuel, é o mesmo que descascar uma cebola para encontrar esta cebola. O símbolo nunca poderá ser apreendido por redução progressiva a alguma coisa que não seja ele próprio; logo, deve sua existência ao impalpável que o fundamenta. O conhecimento simbólico é uno, indivisível, e não pode existir senão por meio da instituição desse outro termo, que ele expressa e esconde, a um só tempo"). É o que confirma, por sua vez, Henri Corbin, já citado.

Essas posições de alerta tendem mais a apresentar a irredutível originalidade dos símbolos, do que a negar a lógica imanente que os anima. "Mesmo quando o espírito humano parece estar a ponto de abandonar-se mais livremente à sua espontaneidade criadora", diz C. Lévi--Scrauss, "não existe na escolha que faz de suas imagens, no modo pelo qual as associa, opõe ou encadeia, nenhuma espécie de desordem ou de fantasia".

O pensamento simbólico revela uma tendência que é comum ao pensamento racional, se bem que os meios de ambos para satisfazerem a tal tendência se diferenciem entre si. Testemunha, na verdade, como observou Mircea Eliade, "o desejo de unificar a criação e de abolir a multiplicidade; desejo que é também, à sua maneira, uma imitação da atividade da razão, porquanto a razão tende igualmente à unificação do real".

No entanto, imaginar não é demonstrar. As dialéticas são de ordem diferente. Os critérios do simbolismo serão, por um lado, a constância no relativo captada intuitivamente e, por outro, o correlacionamento do incomensurável; os do racionalismo, a moderação, a evidência e a coerência científicas. Ambos os procedimentos são incompatíveis a partir de uma mesma pesquisa: a razão esforça-se por eliminar o símbolo de seu campo de visão, para desenvolver-se na univocidade das medidas e das definições; a "simbólica" coloca o racional entre parénteses, a fim de dar livre curso às analogias e aos equívocos do imaginário.

Se, por um lado, essas atitudes devem guardar suas características específicas, por outro, ambas respondem a necessidades, cada qual em sua categoria. O próprio progresso das ciências, principalmente das ciências do homem, exige sua coexistência.

Um símbolo pode prefigurar aquilo que, um dia, será um fato científico, como a terra, esfera entre as esferas, ou como a doação do coração; um fato científico poderá vir a servir de símbolo, como o cogumelo de Hiroshima. Usa sábio, no momento em que decide consagrar sua vida à pesquisa, pode estar obedecendo a forças irracionais e a uma concepção do mundo na qual o símbolo, com sua carga emotiva, ocupa lugar considerável. Ao inverso, para abrir-se ao mundo dos símbolos o homem não precisa renunciar, por isso, às exigências de sua razão.

Ao mesmo tempo que se eliminam de maneira metódica, para progredir em seu próprio caminho, a razão e a intuição dos símbolos se atraem mutuamente a fim de subsistir. Uma preserva a outra, que, por sua vez, a enriquece com seus excessos, suas tentações e suas explorações.

Poderíamos indagar, no entanto: qual é a objetividade de um símbolo se, por exemplo, a interpretação que lhe dá hoje um psicanalista não pode evidentemente ser a mesma que lhe dava, antes de nossa era, um nômade oriental? Não proporá esta pergunta mais um falso problema? Seus próprios termos não seriam também os de uma teoria conceitualista do conhecimento?

A objetividade, na simbólica, não é uma identidade de conceito nem uma adequação mais ou menos complexa entre a inteligência cognitiva, um objeto conhecido e uma formulação verbal; é uma similaridade de atitude, uma participação imaginativa e emotiva num mesmo movimento, numa mesma estrutura, nos mesmos esquemas cujas formulações e imagens podem ser extremamente diferentes, conforme os indivíduos, os grupos e as épocas.

Se refletirmos, por exemplo, sobre a interpretação simbólica dos mitos gregos dada por Paul Diel, não podemos ser pueris a ponto de pensar que todos os gregos, tanto a gente do povo quanto os artistas, partilhassem explicitamente das opiniões do intérprete contemporâneo.

O pensamento simbólico é infinitamente mais rico, sob certos aspectos, do que o pensamento histórico. Este último é, em princípio, perfeitamente consciente, avaliado por meio de documentos, comunicável por signos definidos. O primeiro mergulha no inconsciente, eleva-se no supraconsciente; apoia-se na experiência íntima e na tradição; não se comunica senão proporcionalmente à abertura e às capacidades pessoais. Contudo, o símbolo não deixa de estar presente no pensamento histórico — como os leões destemidos às portas de Micenas, como o leão erguido, degolado por um príncipe ou por um sacerdote, às portas de Persépolis; como o Cemitério marinho ou qualquer poema semelhante, como a sinfonia à Fraternidade Universal, com todos os seus valores potenciais.

Com o passar dos tempos, graças à evolução das culturas e dos espíritos, o símbolo traduz-se numa linguagem nova, desencadeia ressonâncias imprevistas, revela sentidos antes despercebidos. Guarda, entretanto, sua orientação primordial, a fidelidade à intuição original e uma coerência em suas interpretações sucessivas.

Os esquemas condutores ordenam-se num mesmo eixo. Ler uma mitologia muitas vezes milenar com os olhos de um analista contemporâneo não é trair o passado, não é iluminá-la com uma luz mais intensa — é, talvez mesmo, ficar cego diante de certa luz. No entanto, essa leitura viva, que se anima à chama do símbolo, participa de sua vida própria, tornando-a a um só tempo mais intensa e mais atual.

A narrativa ou a imagem permanecem as mesmas; mas vibram em níveis diferentes de consciência e de percepção, em meios receptivos em maior ou menor grau, e os matizes do símbolo variam com os próprios termos da relação que o constitui. Todavia, essas relações continuam a ser isomórficas. Uma força vetorial no seio da estrutura profunda continua a comandar as diferentes interpretações, que progridem ao longo dos séculos, girando em volta de um mesmo eixo simbólico.

Por conseguinte, ao rejeitar qualquer preocupação de sistema, o dicionário de símbolos tem como único objetivo apresentar um conjunto de símbolos, sugestivo e evocador, destinado a alargar os horizontes do espírito, a vivificar a imaginação, a estimular a reflexão pessoal, e não a um mero armazenamento de noções adquiridas.

Ao folhear as páginas do dicionário de símbolos, o leitor ir-se-á familiarizando, pouco a pouco, com o pensamento simbólico e ficará apto a decifrar por si mesmo muitos enigmas. Se desejar aprofundar-se em certo tema, poderá consultar as obras especializadas; recorremos a um grande número delas, citadas na bibliografia. E, finalmente, o leitor granjeará todo o nosso reconhecimento se nos encaminhar suas observações, críticas ou subsídios.

Que este livro seja, sobretudo, repetindo um desejo de Nietzsche, "um diálogo, uma provocação, um chamamento, uma evocação [...]". Ao terminar, façamos justiça aos iniciadores — os poetas Novalis, Jean-Paul, Hõlderlin, Edgar Poe, Baudelaire, Rimbaud, Nerval, Lautréamont, Mallarmé, Jarra- —, aos místicos do Oriente e do Ocidente, aos "decodificadores" das imagens do mundo na África, na Ásia e nas Américas. Os símbolos os congregam. Com que força André Breton fustigou, no século das ciências exatas e naturais, intratável mania que consiste em sujeitar o desconhecido ao conhecido, ao classificável, (e que) adormece os cérebros". Recordemos o ato de fé do Manifesto: Creio na conversão futura desses dois estados, na aparência tão contraditórios, que são o sonho e a realidade, numa espécie de realidade absoluta, de suprarrealidade. se assim se pode dizer.

E agora, retomando as palavras de Marthe Arnould, vamos à procura "das dizimes dos belos caminhos [...] . Para além das aparências, vamos buscar a verdade, alegria, o sentido oculto e sagrado de tudo o que existe nesta terra sedutora e terrível [...]. É o caminho do devenir [...]".

 

Fonte: Dicionário dos Simbolos - mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Edição 2021 - Por Jean Chevalier e Alain Gheerbrant

 

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Artigo atualizado na Agência EVEF em 04/04/2022 por Everton Ferretti